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21 de Janeiro de 2022
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    Do primeiro ao décimo período do curso de direito

    A caminhada acadêmica

    Michael Pimentel, Bacharel em Direito
    Publicado por Michael Pimentel
    ano passado

    Quando iniciei o curso de bacharel em direito no primeiro semestre do ano de 2015, tinha algumas expectativas, dentre elas lógico, absorver um pouco mais de conhecimento que me ajudaria a entender a situação político-jurídica que o país vivia e com isso consolidar, aprimorar ou mudar minha opinião acerca da política no Brasil e também ter conhecimento sobre as questões jurídicas que sempre causam polêmica em nossa sociedade, advinda de alguns questionamentos do senso comum que faziam muito sentido há época e também acrescentar mais esse conhecimento ao meu currículo e ter mais uma opção de carreira.

    No primeiro ano, ou seja, primeiro e segundo períodos, temos matérias introdutórias do direito, matérias teóricas bastante filosóficas e conceituais em sua maioria, algumas introdutórias às diversas disciplinas que compõem o direito e são o arcabouço teórico que iríamos aprofundar ao longo do curso, a importância dessa introdução ao estudo do direito (inclusive o nome de uma matéria da minha grade curricular) de forma ampla e difundida, te cativa a buscar mais informações, questionar sobre ideias e aprender para opinar, muitos dos conceitos pré-concebidos com os quais cheguei na graduação sofreram um questionamento contrário, inteligente e coerente. Aí é que está a grande pegada de um curso de graduação, seja ele qual for, te cativar de primeira.

    No decorrer dos próximos quatro semestres é uma loucura, despejam informações de todos os lados e de várias fontes diferentes, e os professores, cada um com sua opinião e convicção, se mostram, vão se abrindo cada vez mais, ensinando como docente na teoria e como profissional na prática, o que é bastante útil para aprender que a teoria e a prática são realidades um tanto quanto distantes, num país onde os poderes “harmônicos entre si” entram cada vez mais no espaço do outro, sob a égide de suprir uma lacuna pelo outro deixada, utilizam sua prerrogativa de “função atípica” para resolver uma demanda, seja ela qual for, como nos foi ensinado. Ah, outra coisa, nosso vocabulário vai ficando mais rebuscado, formal com o “juridiquês” que lhe é devido, normal.

    Entre o sétimo e o oitavo períodos, após encontros e desencontros, seja por causa das férias ou seja por desentendimento mesmo, estamos com lastro acadêmicos bem sólidos, com professores, funcionários da instituição e colegas de caminhada, o que facilita bastante o aprendizado de quem quer se aprofundar no conhecimento jurídico, afinal de contas, nestes períodos se vê nitidamente quem tem interesse em “enveredar” para alguma área do direito específica, seja pública ou privada, e vemos também quem busca a graduação de direito para conseguir fama (não julgo), poder (muito menos), dinheiro (ninguém trabalha de graça) ou aprimorar o conhecimento e com isso ser útil e consequentemente bem remunerado. As preocupações começam, TCC, OAB, Formatura chegando, falta de paciência, má administração do tempo e toda sorte de infortúnios que nos perseguem, os esqueletos começam a sair do armário.

    Chegou o nono período, onde já podemos apresentar TCC, fazer a prova da Ordem pra valer, podemos iniciar a Pós Graduação além das matérias que começam a fechar o ciclo de aprendizado, ou nos preparar para o próximo passo da jornada que é tão dura e solitária, quanto prazerosa, essa é a caminhada acadêmica. Não tem muito o que falar desse período, os percalços da vida se incumbiram de separar as pessoas, não digo os fortes dos fracos, seria extremamente injusto e insensível da minha parte usar esta afirmação tão referenciada em outros discursos, mas separar todos os que iniciaram por iniciar, pra agradar familiares, por não saber o que fazer, por problemas econômicos, aliás não mencionei que esse curso a que me refiro é cursado no período noturno, um ponto importante que merece ser citado. A caminho do final da jornada acadêmica da graduação seguimos todos os que insistiram e conseguiram superar tudo o que impedia de crescer academicamente.

    Décimo, oh décimo período de graduação do curso de direito, o período mais desafiador do curso, com matérias que julgamos muitas das vezes desnecessárias, com a flexibilidade das chamadas, com o cansaço da labuta diária, com a falta de tempo pra lidar com a produção do TCC e com todas as desculpas que inventamos apenas para não comparecer as aulas do último período do curso, como escutei de um professor que lecionou nesse período, “quem vem assistir as aulas é por amor...”, é verdade, tudo conspira contra e um estresse toma conta da maioria, vê-se nitidamente uma tensão com os remanescentes presentes. E a medida do possível as aulas vão se desenvolvendo caminhando para o inevitável, concluir o curso.

    Assim foi minha caminhada acadêmica ao longo de dez períodos, sem adiantar nenhuma disciplina e nem deixar nenhuma para trás, uma experiência única, que me impulsionou para tudo o que está acontecendo hoje e foi um prelúdio do esta por vir, que o mesmo impulso que me encorajou a iniciar essa tão antagônica jornada acadêmica me envie a novos desafios e quem sabe daqui uns anos saber muito de pouca coisa e poder repassar da mesma forma magistral, o ensinamento que outrora me foi ensinado.

    Michael G. Pimentel

    2020

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